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segunda-feira, 11 de abril de 2011
(mais) Tarde
Era a tarde, eu dizia que ela não chorasse assim, ela sequer ouvia e seguia chorando, se desmilinguia sob um som qualquer, refletia consigo as alegrias de um passado não muito distante e não conformava-se... eu a lembrava do quanto era importante ter algo pelo que chorar, mas sabemos como as coisas ficam essa hora, ela queria apenas que se acabasse, que, de alguma forma, aquele aperto no peito encontrasse seu caminho e, logicamente, pensava que esvair-se em lágrimas fazia parte desse processo de expurgo, de exoneração, como um pecado que precisasse ser expiado e isso também lhe machucava mais, pois insistia não haver pecado, não haver erro, não haver culpa mas quando se perde, tudo parece um erro, quem ergue a espada após uma batalha perdida e brada seus acertos, suas certezas? Não, tudo é erro nessa hora. Era a derrota que lhe entremeava os minutos espichando mais as horas infinitando-lhe a dor. A tarde chorava compulsivemnte procurando nos sapatos, todos iguais, seu caminho, agora, indiferente.
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